Boletim do Boi Gordo

BOLETIM DO BOI GORDO : NÃO É SOBRE O QUE EU ACHO MAS, O QUE DE FATO É.

• Antônio José do Carmo
Jornalista
Nosso carro chefe na multimídia do Noroeste Rural são os comentários sobre o preço no boi gordo ( alcance recorde de 800 mil pessoas ). Nos diferenciamos pelas informações vindas de fontes ligadas ao mercado da carne e do comércio do boi em pé. Os valores que citamos são os efetivamente negociados. Sem especulação, apenas comentando o mercado. Muito menos ideologia política ou partidária. Oferecemos um retrato do momento, sem intenção alguma de tendência que não seja fundamentada em pareceres de fontes diretamente ligadas ao mercado nacional e internacional da carne, que consultamos semanalmente.
No Boletim deste sábado muitos internautas criticaram a ótica de nosso comentário, que enalteceu o poder do mercado brasileiro em encontrar uma acomodação de preço capaz de fazer a roda dos negócios girar em todos os elos da cadeia produtiva.
Todos queremos carne a preço baixo. Mais que isso queremos poder comprar. O caro e o barato dependem do que eu ganho e não do que eu compro. Na cadeia produtiva a organização de preços ocorre naturalmente. Por isso nossos comentários são desprovidos de posicionamentos ideológicos, mas tendem sim valorizar o produtor, o criador de gado.
O gado de custo mais baixo que chega ao consumidor, nem sempre tem uma origem moralmente aceitável. Na região Amazônica ou no Mato Grosso, o custo da arroba do boi é menor que no Estado de São Paulo, por exemplo.
Boi criado em regime extensivo, com 0,5 cabeça por hectare ou até menos, chega mais barato ao consumidor, mas pode estar contribuindo para a derrubada de florestas. A pecuária que preserva o ambiente é intensiva, com mais de 4 unidade animal por hectare, com os custos atrelados ao preço dos insumos utilizados na produção da ração. A ração é que evita o desmatamento.
O preço do boi e da carne estão altos no Brasil porque o público consumidor diminuiu o volume de compra, mas também porque diminuiu a oferta de boi gordo. Então o preço que aumentou R$ 20,00 por arroba em uma semana, representou o poder de compra atual dos brasileiros. O fôlego na hora da chegada, arrancando de onde não se tem. É que a carne no Brasil, é 80% consumida por nós brasileiros. Só os americanos comem mais que nós, porque tem mais poder de compra.
Para iniciar uma discussão nova, sugiro que a próxima pauta do nosso jornalismo, seja voltada para o equilíbrio ecológico que o homem pode realizar, abrindo temporadas de caça. As capivaras por exemplo estão se alimentando de pastagens de gado ou lavouras.
Tem ainda os javalis e outras espécies exóticas que poderiam estar sendo incorporadas ao consumo de carnes, ao mesmo tempo que promoveriam o equilíbrio ecológico que já nasceu artificialmente, com leis para “conter” a ação do homem “predador”, mas que pode existir de forma controlada. Ou logo as capivaras estarão entrando e saindo de dentro de nossas casas, assim como as vacas na Índia. A diferença é que as vacas são menos destrutivas.